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julho 08, 2010

Da Paixão Alucinada

Não quero amor, quero paixão.
O amor é coisa fria ,
filho da amizade com a compreensão.
A paixão, qual som de violinos,
é dor, é sangue, é desatino,
é querer possuir possuindo;
é querer ainda mais, pois não atino
em como conter tal vulcão.
Quero lanhar tua pele (que é tão macia),
macular essa beleza que me endoida,
explodir em delírio e fantasia,
numa noite sem fim,
quero o teu querer tão imperfeito
de defeitos e caprichos mil,
e te quero muito além da saudade,
te quero na eternidade desse instante,
e quero ousar versar um verso de paixão latente
com teus cabelos de serpente...

Allan Julianelli

dezembro 17, 2005

Antítese Perfeita


Num dia chuvoso, lados opostos se encontram
Lábios mornos, corpos quentes
Se inflamam...
Tudo original e ao mesmo demodê,
Nostálgico como a nostalgia
Se unem dando vida a um romance entre o bem e o mal
Que misturam amor colossal, ódio quase mortal...
O sim se mistura com o não...
O dia termina no ocaso das trevas
E na penumbra da noite as paredes do quarto confessam
Antíteses perfeitas, exactas...
O frio, o calor
A noite clama...
Medo, ousadia
A cama...
O tudo, o nada
O suor flúi nos corpos ardentes...
A fidalguia, o populacho
A sedução impúdica...
Meiguice, açoite
Harmonia longínqua...
Desabrocha o ciúme ciumento
Nascente da desconfiança confiante,
Se amam, se odeiam.
Nunca foram francos
Tão pouco burlaram o espanto
São sinceros, são belos
Mentem com toda persuasão
Vivem tardes primaveris em noites de verão...
Ela é bela
Ele o rei da quimera
Ela refuta
Ele insiste, o sonho existe
Eles são brilhantes
São opostos, são tortos
Mas são amantes....

Allan Julianelli