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março 02, 2006

Corpo


Seu corpo é porto em dia de tempestade
Onde meu oceano desagua… águas turbulentas e salgadas…
Nossos corpos suados…
Teu suor que escorre pelas costas, onde me enrosco num abraço
por trás e deslizo escorregadia…
Sentindo cada toque dos meus seios em ti.
Sinto seu cheiro
Nossos cheiros tão misturados… nós dois tão enlaçados…
Meus olhares que lancei em ti, desvairados te percorreram de pólo a pólo.
Te despiram quase a alma.
Provocaram-me desejo!
Loucura… paixão.
Quando sinto tua língua tocando a minha, é chama que acende a fogueira
que se chama corpo!
E essa língua que desliza pelo meu corpo, causa arrepios...

Elyedre Mireila

fevereiro 22, 2006

Lágrima


Brilha a luz no reflexo tremulo de uma lágrima
Brilham as luzes nas poças tremulas da chuva
Ela nasceu no abafo do peito
E num suspiro escorreu rosto a fora
Fez a curva no final dos traços
E caiu sobre a mesa
Ali ficou sozinha
Pequena gota
No seu reflexo via-se a meia-luz de uma tela
Com poucas palavras
Via-se um rosto
Via-se mais lágrimas tomar outros rumos
Ora as mãos as aparavam
Ora eram bebidas pelos lábios
Ouvia-se ao longe canções
Que não se pode contar
E dentro dela tinha tanta coisa
Tantos medos
Passado, futuro e presente
Era uma lágrima carregada
Que veio de um pranto
Engasgado, sofrido que causou espanto...


Elyedre Mireila