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janeiro 23, 2006

Armadilhas do Destino

No palco das ilusões encenei a dança da falsa alegria
como uma forma de suportar o peso da dor
O coração silenciou por medo dos monstros
adormecidos eternizados no âmago do ser
Videoteipes de lembranças nuas
vagueiam pelas sombras presentes nas febris retinas
O peso da tristeza transforma-se em lágrimas
e a alma despida de felicidade chora
Tudo é escuro
Meu mundo é vazio
Quisera acreditar no milagre da vida
Debruçar-me sobre os sonhos e não mais acordar
pensar em tudo que poderia ter sido e não fui
Lembrar de coisas que poderia ter feito e não fiz
O sopro dos ventos delirantes levou
para bem longe um a página solta da
minha história
O real desejou ser irreal
Quantos dissabores degustados pelo amargo tempo
De nada adiantou os clamores da alma
Nada valeu a pena!
Resta-me seguir pelas paralelas da vida
sem saber onde e quando vou me soltar
das armadilhas deste ingrato destino.

Zena Maciel

janeiro 16, 2006

Flor do Desejo


Mar aberto
Vida fechada
Coração ao léu!
Flor do desejo!
Por onde andas?
Em que estrela cadente partistes
que se quer encontrei tua sombra?
Em qual coração adormecestes e
não mais quisestes acordar?
Onde fizestes teu ninho?
Por que não levastes a minha dor como
tua companhia?
Rejeito adoçar meus dias com o
néctar da solidão
Perdida dentro de mim
não sei para onde ir
Sigo a estrada do nada como uma
louca peregrina errante
Busco-te em cada alvorecer
Desencanto-me em cada anoitecer
Mesmo assim, ainda te espero e te quero!
Vens cantar ao meu ouvido
Não importa a melodia
Engana-me com tolos desejos
Vens beijar minha saudade nua
Visita-me em sonhos
Desfolha a árvore da tristeza desta pobre alma dilacerada
Dê-me pelo menos um minuto fugaz
de falsa felicidade e vás embora!

Zena Maciel