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julho 24, 2010

Distância

Na distância não me perco,
rumo certo com meus passos...
na bagagem levo beijos,
sonhos, sussurros e abraços.
Assim como o andarilho,
no caminhar tão constante,
vou pouco a pouco encurtando
esta estrada tão distante!
E de repente te vejo,
como sempre quis te ver:
Musa... Mulher... e Desejo...
então te cubro de beijos
e me deságuo em você!

Antonio Manoel A. Sardenberg

maio 01, 2006

Contratempo


Na correnteza de cruel tormento
Busco a razão para encontrar sentido
E vou vagando como vaga o vento
No contratempo do tempo perdido.

Na solidão que me assola tanto
Aceito o fato como consumado
E entrego à vida todo aquele pranto
Que dentro d’alma estava bem guardado

Solto as amarras do meu pensamento
Dou liberdade à minha escravidão
Jogo no lixo todo o sofrimento.

Volto a sonhar e desfazer o pranto
Tento curar a dor da solidão
Na doce vida que amarga tanto!

Antonio Manoel A. Sardenberg

março 03, 2006

Saudade


A vida é sempre um esperar constante
e a cada instante a gente espera mais,
num sentimento vago e tão distante
a nos tirar constantemente a paz!

Como fugir dessa cruel verdade,
se a saudade nos bate sem dó,
e ao bater com tanta intensidade,
maior é a dor por se ficar tão só!

Mas bem pior é não sentir saudade,
não ter ninguém para poder sonhar,
viver somente de realidade!

Sonhar é bom, e faz bem a gente,
não dá vontade de mais acordar,
sentir saudade é sofrer contente!


Antonio Manoel Abreu Sardenberg

dezembro 30, 2005

O Velho Ano Novo


Lá se vai o Ano Velho
Despedindo-se do novo
Trazendo sonhos pro povo
No ano que se inicia
Desejo de paz alegria
Um mundo de fantasia
Começa tudo de novo...

No céu explodem foguetes
A multidão se assanha
O pobre pede um emprego
O rico estoura champanhe.
O Velho pede saúde,
Muita paz e energia
O jovem não pede nada
Uns vivendo de mesada
Outros com a mesa vazia!

E assim o mundo vai,
Anos e anos a fio,
E o grande desafio
Ninguém consegue enfrentar
Pois o verbo repartir,
Dividir, querer e amar
Muitos sabem conjugar
Poucos sabem praticar
E muito menos sentir...

Tomara que este ano,
Seja muito diferente,
Onde a fraternidade,
A ternura e o calor,
Façam a vida mais contente
Dando afago a toda gente
Que tem fome de carinho,
De emprego, pão e de amor!

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

dezembro 27, 2005

Meu Velho Pião


Peguei a fieira fina,
Enrolei no meu pião.
Dei um impulso com o pulso
Lancei o brinquedo ao chão.
Vi meu passado girando
E aos poucos fui lembrando
As voltas que vida dá
E que não podem voltar
Como o giro de um pião!

Gira, meu velho pião,
Não perca tempo com o tempo
Pois que a vida é momento,
O resto é só ilusão...

Não adianta remorso
E nem arrependimento...
O que girou, já girou,
O passado já passou,
Pode esquecer que é besteira,
É pião que foi lançado
E com o punho arremessado
Pela ponta da fieira...

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

dezembro 19, 2005

Amor e Paixão


Amor é brisa suave,
é aconchego, é carinho,
voo cadente da ave
indo em busca do seu ninho.
É bruma leve do mar
em manhã de primavera,
desejo louco de estar
com alguém que se espera.

Volúpia louca é paixão,
mar revolto, tempestade...
É amar sem a razão,
é só loucura e vontade.
Paixão é amor sem juízo,
sem norte, recta ou tino,
errante sem ter destino,
o inferno no paraíso!

Amor é paz, é ternura,
é o frescor da aragem,
a mais cálida coragem,
maior ato de bravura.
É o céu lá nas alturas,
é a mais sublime imagem!

Paixão é inconsequência,
é demência desmedida,
é o nada, é ausência,
é o fim – a despedida!

Amor é tudo, enfim
é a vida iluminada,
é a afirmação, é o sim,
é o encontro na chegada!

Antonio Manoel Abreu Sardenberg