janeiro 02, 2006

Por te Rever


Quisera roubar-te essas palavras e morrer
Trazer-te assim até ao fim do que eu puder
E começar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal o sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente
Por te rever, só

Mafalda Veiga

dezembro 30, 2005

O Velho Ano Novo


Lá se vai o Ano Velho
Despedindo-se do novo
Trazendo sonhos pro povo
No ano que se inicia
Desejo de paz alegria
Um mundo de fantasia
Começa tudo de novo...

No céu explodem foguetes
A multidão se assanha
O pobre pede um emprego
O rico estoura champanhe.
O Velho pede saúde,
Muita paz e energia
O jovem não pede nada
Uns vivendo de mesada
Outros com a mesa vazia!

E assim o mundo vai,
Anos e anos a fio,
E o grande desafio
Ninguém consegue enfrentar
Pois o verbo repartir,
Dividir, querer e amar
Muitos sabem conjugar
Poucos sabem praticar
E muito menos sentir...

Tomara que este ano,
Seja muito diferente,
Onde a fraternidade,
A ternura e o calor,
Façam a vida mais contente
Dando afago a toda gente
Que tem fome de carinho,
De emprego, pão e de amor!

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

dezembro 29, 2005

Simplesmente Mulher


Nada mais contraditório que ser Mulher!
Mulher que pensa com o coração...
Age pela emoção e vence pelo amor...
Mulher que como uma feiticeira transforma...
Em luz e sorriso as dores que sentes...
Na alma só pra ninguém notar....

Mulher que é feita de mistérios...
Tudo se esconde...
Sonhos... Axilas... Vagina... Amores...
Mulher que envelhece e esconde...
Uma menina que permanece...
Onde ela está agora...

Mulher que ama... Se for correspondida...
Bem no fundo de teu coração...
Deixa a tua paixão escondida...
Mulher que se desprezada por quem amas...
Chora... Sofre... Sozinha...
Mas seu coração nobre continua a amá-lo...
Mulher não se rebaixe...
Não abaixe teus olhos...
Pois mesmo amando...
Deves lembrar que é MULHER!

Mulher forte... Corajosa...Decidida...
Trás no peito uma paixão que os...
Compromissos não permitem revelar...
Mulher que vive lutando entre a razão e a emoção...
Mesmo errando e vacilando nunca para de sonhar...
Mulher que todos pensam que tudo ela importa...
Mas ninguém conhece seu coração...

Mulher que se enfeita e perfuma o leito...
Ainda que seu amor nem perceba tais detalhes...
Mulher que cobra de si a perfeição...
E vive arrumando desculpas para o erro...
Daqueles a quem amas...
Mulher que vive milhões de emoções...
Num só dia e transmite cada uma delas...
Num único olhar...

Mulher que hospeda no ventre outras almas...
Que dá a luz e depois fica cega...
Diante da beleza dos filhos que gerou...
Mulher que sofre calada...
Chora e proclama...
Deseja... Espera... Ama...
Que busca e se encanta...

Mulher que sozinha vive e morre...
Que renuncia e aceita...
Que canta e se encanta...
Que se cala... Chora... implora...

Mulher que nesse instante nessa vida...
Segue seu caminho com os olhos rasos d’água...
Chorando esperanças...
Acreditando no amor...
Mulher que desvenda todo seu espaço...
Procura a beleza de todo teu ser...
E encontra Deus...

Mulher que fantasia...
Que idealiza e se realiza...
Mulher que em fogo queima...
Seu corpo transpira...
Desejos secretos...
Pecados de mim...

Feliz do homem!
Que um dia souber entender...
A ALMA DA MULHER!!!!

Vania Staggemeier

dezembro 28, 2005

Vaga, no Azul Amplo Solta


Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa

dezembro 27, 2005

Beijo


Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

Meu Velho Pião


Peguei a fieira fina,
Enrolei no meu pião.
Dei um impulso com o pulso
Lancei o brinquedo ao chão.
Vi meu passado girando
E aos poucos fui lembrando
As voltas que vida dá
E que não podem voltar
Como o giro de um pião!

Gira, meu velho pião,
Não perca tempo com o tempo
Pois que a vida é momento,
O resto é só ilusão...

Não adianta remorso
E nem arrependimento...
O que girou, já girou,
O passado já passou,
Pode esquecer que é besteira,
É pião que foi lançado
E com o punho arremessado
Pela ponta da fieira...

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

dezembro 26, 2005

Felicidade


Felicidade não tem peso,
nem tem medida,
não pode ser comprada,
não se empresta, não se toma emprestada,
não resiste a cálculos, porque não material,
nos padrões materiais do nosso mundo.
Só pode ser legítima.
Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão.
Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem,
diria que a felicidade pode ter tamanho,
pode ser grande, pequena,
cabendo nas conchas da mão,
ou ser do tamanhão do mundo.
Felicidade é sabedoria, esperança,
vontade de ir, vontade de ficar,
presente, passado, futuro.
Felicidade é confiança:
fé e crença,
trabalho e acção.
Não se pode ter pressa de ser feliz,
porque a felicidade vem devagarinho,
como quem não quer nada.
Ser feliz não depende de dinheiro,
não depende de saúde,
nem de poder.
Felicidade não é fruto da ostentação,
nem do luxo.
Felicidade é desprendimento,
não é ambição.
Só é feliz quem sabe suportar, perder,
sofrer e perdoar.
Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar.

Wanderlino Arruda

dezembro 24, 2005

Happy Christmas (War Is Over)


So this is Christmas, and what have you done.
An other year over, and a new one just begun.
And so this is christmas, I hope you have fun.
The near and the dear one's, the old and the young.

A very Merry Christmas, and a happy new year
Let's hope it's a good one, without any fear.

And so the this is Christmas
for week and for strong
For rich and the poor one's
the road is so long
And so Happy Christmas,
for black and for white
For yellow and red ones,
let's stop all the fight.

A very Merry Christmas, and a happy new year.
Let's hope it's a good one, without any fear.

And so this is Christmas,
and what have we done.
An other year over,
and a new one just begun.
And so happy Christmas,
we hope you have fun.
The near and the dear one's,
the old and the young.

A very Merry Christmas, and a happy new year
Let's hope it's a good one, without any fear.

War is over, if you want to
war is over, now

John Lennon

dezembro 23, 2005

Das Margens


Deixaste a margem do sonho
e emigraste para o outro lado Agora…
és apenas mais um exilado na margem da banalidade!

Aí…
Terra nua de surpresas
todos os gestos se repetem
inexoravelmente iguais
na sucessão dos dias e das noites…
e na voragem dos calendários vão esfriando
até se tornarem obviamente insuportáveis

Aí…
Areias onde não poisa o imprevisto
engordarás de tédio e de náusea
à mesa do quotidiano
até sufocares
na estreiteza dos fatos engomados…

Aí…
Chão alagado de silêncios
as palavras não têm fragrância de flor
nem sabem a mel…
e os amantes dizem “Olá, amor!”
como quem diz: “Acho que vai chover!…”

Aí…
Céu descolorido de romance
o Sol já não se ruboriza
quando pressente o odor da Lua
que a ele se entrega todas as noites
numa rotina de desencanto…
e a estrela polar nem estremece
à passagem do cometa
previsível todos os sábados à noite

Aí…
Lareira de fogos anémicos
o desejo coze em lume brando…
os beijos
oh! os beijos!…
trocam-se a horas certas
com a mesma ligeireza com que se escovam os dentes…
e o sexo
cada vez mais económico
vai dispensando a pouco e pouco
o luxo dos aperitivos

Espreito-te
da margem do sonho…

Aqui…
As palavras desabrocham com aroma de jasmim
e sabem a poema…
e quando os amantes dizem “Olá, amor!”
põem nas palavras corpo e alma
embalam-se em acordes de Chopin

Aqui…
O Sol não se acende todos os dias
mas queima rubro quando desponta…
a Lua
a Lua é uma deusa
que só se entrega num ritual sagrado…
e a estrela polar
habitualmente serena
rodopia em êxtase
se um cometa inesperado a visita

Aqui…
O fogo arde em labaredas
e o desejo ferve e transborda…
os beijos
oh! os beijos!…
tombam sem hora
como perlas de anis em bocas sedentas…
e o sexo
pródigo de iguarias
tem a volúpia de um momento raro…
corpo e alma em sincronia
destilando orgasmos cósmicos
em evasão para o Infinito

Espreito-te
da margem do sonho…

E choro-te!
Pobre emigrante exilado
na margem da banalidade…

Carmo Vasconcelos

dezembro 21, 2005

Ninguém


Embriaguei-me num doido desejo
E adoeci de saudade.
Caí no vago ... no indeciso
Não me encontro, não me vejo -
Perscruto a imensidade

E fico a tactear na escuridão
Ninguém. Ninguém
Nem eu, tão pouco!

Encontro apenas
o tumultuar dum coração
aprisionado dentro do meu peito
aos saltos como um louco.

Judith Teixeira